Desabafo

Não sei porque é que escrevi desabafo no título, no fundo, todos estes posts são desabafos. Estive a ver sex and the city a tarde toda e agora o André faz-me companhia aqui no msn… Realmente, tenho a certeza que a pessoa a quem era capaz de mostrar isto agora era a ele. Parece que ele consegue ser mais imparcial, que ele nunca me julgará.

O motivo de toda esta depressão foi uma discussão intensa com a minha mãe, por volta das 17.30 de Sexta-feira, pouco depois de ter saído da escola. Por burrice, disse-lhe que o Rúben tinha ido todo vestido de preto para a escola, não sabia se tinha acontecido alguma coisa. Sim, eu preocupo-me com ele. Ainda continuo sem saber se aconteceu alguma coisa. Daí ela começou a dizer que eu estava a arranjar maneira de me queimar come esta história toda e que só queria era maluquice porque já tinha outro namorado e que o Rúben teve toda a razão quando tinha ciúmes do Filipe e que eu andava com ele mas não gostava dele. Exactamente as mesmas coisas que ele me disse no dia em que acabámos. Pior, disse que eu punha em causa toda a educação que me deram, que acabei com um e já andava a pensar noutro e por incrível que pareça a minha mãe, basicamente, chamou-me vaca. Comecei a chorar, já não fui capaz de dizer mais nada nem de discutir.

À noite fui jantar com a minha irmã, o Zé, a Tânia e mais os outros que estavam praticamente à parte. O Zé, super supportive, a falar comigo, a aconselhar-me, dizia que o mais natural aos 16 anos é namorar.

Mas eu não estou contente, não estou bem, não tenho cabeça pra nada.

Será que ela tem razão? Depois comecei a pensar no Rúben, a pensar que se calhar estava a magoá-lo… Custa-me pensar isso, custa pensar que posso causar-lhe dor. E depois senti saudades de tudo dele, do modo como eu e ele nos encaixavamos em todos os sentidos, ele é mais adulto do que o comum e é isso que se destaca na personalidade dele. Senti saudades de muita coisa, física também, que não devia, uma vez que agora estou com o Filipe. O Filipe, eu sei que sim, que o adoro, que existe qualquer coisa ali, mas agora penso que estou a precipitar-me. Que estou a correr pra ele e ele pra mim e que não é assim que deve ser. Eu não preciso do escape do Filipe, eu preciso de um escape para todos os meus problemas, sim. Mas não é outra relação, porque mentalmente não estou preparada para assumir tudo o que advém daí. Mas eu não posso simplesmente dizer isso ao Filipe. Não posso…

A única coisa que me consolou agora, assim de repente, foi pensar que depois do 12.º, possivelmente, vou para Espanha e deixo tudo para trás, tudo o que não correu bem aqui. Era bom que fosse já, tinha um motivo, um motivo para esquecer, para não ter direito a saudades.

Encontro-me tão confusa. E tão triste por dentro, a qualquer momento, qualquer palavra pode fazer-me desabar. Desatar a chorar e gritar e bater em tudo. Não é normal. Tenho medo de mim própria, daquilo que possa vir a encontrar no fundo de mim.

Tenho o André, tenho a Marisa, tenho a Sara, tenho a Catarina e sim, sei que tenho o Rúben. Sei que ele entenderia tudo isto se parte não fosse em relação a ele. E o Filipe? Tenho-o? Seria ele capaz de compreender tudo isto?

Dúvida

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