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Voltei.

Consegui voltar a escrever, voltar a falar, pelo menos comigo própria. É incrível a forma como me fecho, me enrola como um ouriço carregado de espinhos… senão me virem, tudo bem, mas quem olhar para mim, pica-se. Não consigo, não sou capaz de chegar e dizer o que se passa. Digo à minha mãe e ela nem sequer confia em mim, começa a desconfiar de outra coisa, como sempre. Estou cansada da desconfiança dela, da falta de familiaridade nas nossas conversas, quando tudo se supõe natural e credível.

Falei definitivamente com o Filipe, já na passada Sexta-feira, acabamos com o assunto e possivelmente com uma amizade que era algo estranha. Uma simples amizade de puro divertimento, uma vez que ele não era propriamente a pessoa à qual eu recorria quando algo estava mal. Tentei, juro que tentei.

Tentei, juro que tentei esquecer o Rúben, considerá-lo um amigo, distante que só apareceria ocasionalmente no grupo de amigos… Não consigo. Eu preciso dele, preciso de saber dele, de ver que está bem e que os que o rodeiam estão bem e o tratam bem. Preciso dos beijos, dos abraços e dos beijos na testa. Preciso das teimosias dele para me dizer que sou forte e que aguento. Que tenho vocação e que seja de que maneira for farei o meu melhor e nem que ele fique sem mim e me mande no correio para Espanha… eu vou conseguir, diz-me ele. Ele dá tudo o que tem, ele faz tudo o que pode. Ele ama-me e disso não tenho dúvidas. Eu amo-o e essa é uma certeza. Quero retríbuir, quero fazer tudo por ele, arriscar, sofrer se for preciso, não me interessa, é ele que me satisfaz, é a ele que consigo dizer tudo o que penso sem restrições, mesmo que o assunto seja ele ou nós. E isso é amar.

Tudo o resto, simplesmente não interessa. O exame de fq é amanhã, não sei como vai correr mas estou minimamente confiante, sorrio sem razão, ou melhor quando algo sobre ele me passa pela cabeça ou pela alma ou pelo coração…

Obrigada por seres quem és. És tudo. Amo-te.

E isto não quer dizer que vá namorar com ele agora, porque sei que não tenho essa capacidade, nem ele. No Verão, quando a pressão baixar, logo se verá.

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