try me, find me

As estrelinhas no céu são as pessoas que já não se encontram entre nós, já lá tenho algumas. E todos os dias, supostamente, olhamos para o céu para que a nossa(s) estrelinha(s) nos guie(m)… E tenho pensado que quando Deus (Ele existe?) se zanga connosco, simplesmente tapa o céu e deixa-nos sem guia, se calhar para nos encontrarmos a nós próprios antes de prosseguirmos. E eu, nem sequer olhos pró céu… Será esse o problema? Diz-se que o pior cego é o que não quer ver, eu se calhar não quero procurar uma saída, não quero sobreviver, não quero sair desta selva. Quero apenas permanecer assim, inanimada, em estado vegetativo, a mover-me segundo os encontrões que me dão ou que a vida me dá, sem olhar à minha volta, sem procurar…

Será?

E ele tão perfeitinho…. quero-o tanto! Mas parece que tenho tanto medo de o perder, muito mais do que era usual. Tenho medo da viagem ao Porto, tenho medo de uma míuda que pode aprender a esticar-se, de uma turma que o quer ver andar para a frente sem mim, que o quer ver deixar-me para trás. E no meio dos meus problemas familiares (eles voltaram… alguma vez me deixaram?), eu penso nele e só nele e quero-o mais do que tudo e quero entregar-me a ele de corpo e alma. O meu coração já está com ele, a minha alma já a libertei e deixei-a pairar sobre ele, uma vez que é ele que sabe os meus segredos, os que agora se tornaram dele. E o corpo, o corpo é o que falta, o corpo é o que me prendem. Não me deixam receber um beijo, um abraço, um mimo que eu tanto preciso. Eles não entendem quão fortes são os braços dele quando estão à minha volta naquelas crises que eu tenho. Eles não percebem quão pequena eu fico quando estou assim, eles nunca me viram, eles não me conhecem. Não sou super herói mas tenho uma grande capa que cobre todos os meus sentimentos e os deixa escapar levemente pra ele, só pra ele. E orgulho-me disso, mas sinto-me injustiçada por ter essa capa atada ao meu pescoço com esse nó forte que se uniu desde que nasci.

A minha irmã voltou a entrar em pânico, o desmaio, o choro, a minha mãe na cama dela, eu que não durmo. Será que ela vai aguentar, será que não? Tenho medo… muito medo.

Amo-te Rúben Miguel Tomé Coelho.  

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